sexta-feira, 31 de agosto de 2012

"Post" - Björk, 1995

Como muitos que me conhecem sabem, eu sou um rato de sebo. Explico: sebos são locais em que sãos vendidos materiais usados, como livros, discos, CDs, gibis e coisas assim. Existem sebos bons, que tratam bem do livro, lavam os CDs, arrumam os gibis; e existem sebos ruins que não fazem nada disso. Eu já achei coisas ótimas em sebos pagando quantias inimagináveis para o bem ou para o mal (ou seja, muito baratas ou muito caras). Pois bem.

Eis que estava eu garimpando em um dos sebos daqui da minha cidade, quando vi que havia uma caixa de CDs a preços destruidores como dois reais, cinco reais, oito reais. Originais, para deixar bem claro, porque eu não compro coisas piratas, me recuso.

E achei um cd dessa tal Björk. Ela não era uma total desconhecida, pois é famosa no meio musical por sua excentricidade e roupas espalhafatosas, e eu, que estou sempre antenado, já tinha ouvido uma história ou duas sobre sua pessoa. Comprei o tal cd, “Post”, junto com outros que vim a descobrir serem muito menos interessantes que esse. Coloquei no rádio do carro e torci pra que não tivesse gastado meu dinheiro em vão.

A primeira música - "Army of Me" - abre com uma bateria forte eletrônica e guitarras, coisa meio impensada para mim e a letra diz “Se você reclamar uma vez mais/você vai encontrar um exército de mim”. E eu pensei então: “uau”. Gostei da força da canção e continuei a ouvi-la. Foi, porém, na quarta música, que deu-se a mágica. “It’s Oh So Quiet” é de um musical antigo que Björk repaginou e ficou muito legal. A partir daí eu sabia que tinha sido fisgado.

Saí procurando tudo que podia sobre ela, comprei os CDs que achei pelos sebos da cidade e fiz uma mini-coleção. Assisti ao filme que ela fez, “Dançando no Escuro”, dirigido por Lars Von Trier, e adorei. Não é fácil de gostar de cara, pois ela é sim vanguardista e inovadora. Demora um pouco. Até que se dá clique. Björk (que é da Islândia) é aquele tipo de artista que se ama ou se odeia. Eu fico feliz em dizer que a amo! Fora o fato de ela ser extremamente fofa em entrevistas! Apesar de parecer novinha (pelo rosto e também pela voz), Björk já tem quarenta e seis anos e também tem fortes posições políticas. Foi extremamente criticada em 2008 por ter sussurrado “Tibet, Tibet, Tibet”, em uma apresentação na China, durante a canção “Declare Independence”. Eu particularmente achei super corajoso da parte dela.

Ela já veio ao Brasil algumas vezes, mas eu não tive oportunidade (ainda!) de ver um show seu. A última notícia que eu tenho foi de um cancelamento de show no Festival Sonar, em São Paulo, devido a um problema em suas cordas vocais. Espero que ela já esteja bem de novo.

"Ella and Louis" - Ella Fitzgerald e Louis Armstrong, 1956

Ella and Louis é simplesmente um exemplo de disco perfeito. Não há nenhuma nota fora de lugar – nem do trompete de Louis e nem da voz em scat de Ella – nenhuma canção fora de tom. Perfeito.

Devo confessar que eu não sou muito fã de jazz. Para ouvir longos solos em que só os instrumentistas parecem estar se divertindo, prefiro ouvir rock progressivo. Porém, esse disco sempre esteve no senso comum de minha família, tanto que o escuto desde muito tempo. Já sei as músicas decoradas, inclusive os agudos de Ella e os graves de Louis.

Lançado em 1956, com participação do quarteto de Oscar Peterson, traz canções dos irmãos Gershwin, de Irving Berling, Hoagy Carmichael, entre outros. O album faz parte de uma trilogia gravada pelos dois entre os anos de 1956 e 1958 – sendo seguido de “Ella and Louis Again” e “Porgy and Bess”, também dois maravilhosos discos.

Pois é. Quando eu digo que não gosto muito de jazz, é verdade, porém eu adoro esse três encontros! Experimente ouvi-los bem acompanhado/a e com uma boa taça de vinho. Você vai ver os milagres que eles fazem!

AQUI está uma pequena amostra da mágica! Uma de minhas favoritas, "Under a Blanket of Blue"

A primeira!

...milhares de cds e discos de vinil. Pois é. Ainda escuto vinil e devo dizer que eu adoro! Tem certas coisas que ficam muito mais charmosas no vinil, fora todo o processo que é ouvir música com eles. Temos que checar se a agulha está limpa, se o vinil não está riscado e/ou empenado, retirar da embalagem, checar os plástico que os envolvem, essas coisas... Confesso que fiquei anos sem ouvir vinil porque não sabia que ainda tinha essa opção. 

Eu ouvia discos de criança e lembro de ter tido muitos, com historinhas variadas. Lembro inclusive de uns dois que eram mais especiais porque não eram pretos, tinham outras cores, um deles era verde, outro rosa, outro vermelho, isso dependia da história contada. Anos depois eu procurei um cd do Mick Jagger e descobri que ele me custaria os olhos da cara. Entrei em um sebo para ver se por acaso alguém tinha vendido e descobri que eles tinham a versão em vvinil do cd que eu queria. Meio receoso, resolvi começar a comprar vinil de novo e descobri dois mundos novos: os vinis e os sebos. Percebi que não precisava comprar nada novo, podia simplesmente comprar algo que já tinha sido de outra pessoa em alguma outra época e isso não era problema algum. Enquanto o cd do Mick Jagger custava quase setenta reais, o vinil, super bem conservado, custava cinco. Optei pelo mais barato no primeiro momento e depois comecei a fazer escolhas reais, discos que eu não queria em cd e sim em vinil. E agora amo os dois mundos, tanto o dos sebos quanto o dos vinis. 

A idéia desse blog é, claro, falar de música. Não só isso, é falar de discos que eu tenho, de cds que eu tenho e que eu acho que merecem ser ouvidos.  A idéia é mais ou menos como aquele livro dos 1001 discos para se ouvir antes de morrer, mas sem ser assim tão trágico, vamos todos ouvir música sem pensar em morte, =)

Vou escrever falando sobre minhas impressões dos discos que eu tenho, não de todos, mas de grande parte. Pode ser que eu escreva tanto que acabe cobrindo a coleçao inteira, mas não é essa a idéia. Além disso, também convido os meus leitores a me mandarem seus textos sobre seus discos favoritos para que eu possa publicar aqui, se isso os interessar. Aqui está tudo liberado. Sendo meu blog, vou falar de música, de todos os estilos, das coisas que eu gosto e eu não gosto. Sinto livre esse espaço e isso é bom.

Vou colocar a mão na massa, ops, na estante!

Música, música, música!