segunda-feira, 3 de setembro de 2012

"Fina Estampa" - Caetano Veloso, 1994


É incrível que eu já tenha escrito alguns posts nesse blog e ainda não tenha falado de música brasileira. Explico: durante muito tempo, a minha discoteca era formada por tão somente cantores nacionais. Na minha casa era isso que ouvíamos, basicamente. Eu ouvia o disco da Ella Fitzgerald e do Louis Armstrong (do qual já falei aqui) em ocasiões especiais ou quando meu padrasto estava alegre e queria ouvir o disco. Isso também acontecia com outro disco, um de cancões natalinas tocadas pelo saxofonista Kenny G. Todos os natais, eu e minha irmãs éramos obrigados a ouvir esse cd pelo menos uma vez. No início era um disco bonito, mas depois de ser ouvido por quinze anos, ele deixa de ter sua graça inicial e faz com que queiramos quebrar nossas cabeças na parede. 

Foi em casa que eu conheci Chico Buarque, Cartola, Tom Jobim, Gal Costa e outros grandes nomes da nossa música. Um deles foi Caetano. Ele tinha lançado um cd de músicas de países de fala hispânica e eu ouvi muito esse cd. Ele tem canções de Fito Paez, Silvio Rodriguez e outros grandes astros do Chile, Argentina, Espanha e outros. É um disco também muito querido. Em seguida ele lançou o show "Un Caballero de Fina Estampa", que continha a música "Haiti", de Caetano e Gilberto Gil, que me impressionou muito, na época, e ainda hoje. Eu não sabia que a música já tinha sido gravada no CD Tropicália 2, de uns anos antes, mas até aí eu não era o fã que sou hoje. A voz de Caetano sempre ecoou na minha cabeça e memória, mas não tinha o costume de escutá-lo. Um dia - como sempre acontece - tive vontade de saber mais sobre o que ele tinha feito na música e, lançando mão da internet e das pessoas próximas, descobri todos os grandes discos que ele já tinha feito e o gênio que ele é. 

Caetano sempre vai ser para mim um dos maiores gênios da música do mundo. Podem não concordar, podem dizer que ele ficou velho, metido e chato, pode até ser, mas isso não tira sua genialidade. Caetano é controverso, inovador, provocador, organizador do movimento da Tropicália, intelectual. Um artista multifacetado que completa setenta anos esse ano de grandes feitos. 

Deixe como exemplo a gravação de "Un Vestido y Un Amor", de Fito Paez, outro grande nome, mas dessa vez, da música argentina (falarei dele em breve). Essa canção já foi também gravada por La Negra, a saudosa Mercedes Sosa. 

Fito disse, em uma entrevista antiga, que já havia gravado a música, mas ficou tão emocionado com o canto de Caetano, que resolveu gravar de novo, com orquestra, para ver se conseguia deixá-la tão boa quanto o mestre. 

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