segunda-feira, 3 de setembro de 2012

"The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars" - David Bowie, 1972

Quem me conhece bem (e até nem tão bem assim) sabe o quanto esse disco é especial para mim. Eu sou um grande fã de David Bowie e gosto de colecionar tudo o que posso sobre ele. Tenho todos os cds, alguns discos, dvds, livros, recortes de jornal, posters, enfim, tudo que consigo achar por aí eu guardo na minha coleção. Mas nem sempre foi assim. 

Alguns anos atrás eu costumava frequentar uma loja de cds aqui do meu bairro. Era uma loja pequena e a minha cidade ainda não tinha nenhuma dessas megastores, então era mais fácil para essas lojinhas sobreviverem. Além disso, a pirataria ainda não era tão desenfreada e as pessoas ainda gostavam de comprar cds. Hoje sei que colecionadores como eu são raros e, por vezes, considerados malucos por pagar pequenas somas de dinheiro por algo que poderíamos baixar facilmente. Seja como for, gostava muito da loja, aprendi muito com seus vendedores e comprei muitas coisas por lá. 

Um dia me disseram que a loja ia fechar. Diversos motivos e razões foram dados, mas nada tirava minha tristeza. Fizeram uma enorme promoção e as pessoas (que tinham sumido) apareceram como grandes urubus. Cds com 30%, 40%, 70% de desconto, até os quadros estavam à venda. Minha mãe e eu deixamoos para ir lá no último dia para nos despedirmos das pessoas e daquele espaço tão especial. Lembro de ter comprado três cds. Um deles eu não me lembro, mas dois foram "Closer", do Josh Groban e "Hours", do Bowie. Eu ainda nem sabia quem ele era, ouvi o cd e gostei e deixei junto com minha coleção, mas sem dar muito valor ou, digamos, sem dar o valor merecido. 

Um tempo depois, um amigo me emprestou o Ziggy e disse: "você precisa ouvir isso, tenho certeza que você vai gostar" e eu disse que ia ouvir e o tempo passou e eu devolvi. Ele perguntou se eu tinha gostado e eu disse que não tinha dado tempo de ouvir (o que era uma grande mentira, já que tempo eu tinha tido, mas acho que a capa não me chamou a atenção, não sei direito o que aconteceu). Ele então insistiu: "quero que você escute esse disco. Leve de novo e não me devolva até escutar - e tome cuidado!". 

Ouvi, gostei de algumas coisas, mas ainda assim deixei de lado. Acho que um tempo depois eu ouvi uma música do Bowie em um filme e adorei e comecei a ir atrás de coisas sobre ele, como sempre faço com novas paixões musicais. Lembrei que tinha um cd dele, lembrei que já tinham me emprestado outro cd dele, lembrei que já o tinha visto em um filme, lembrei que já tinha usado a trilha sonora (Furyo) de um filme que ele participava. Foi o clique necessário. Meu amigo disse que tinha certeza que isso ia acontecer alguma hora. Demorou, mas aconteceu! Meses depois aconteceria o mesmo com Pink Floyd, mas isso é outra história e deverá ser contada em outra ocasião. 

O tempo foi passando e eu fui colecionando todos os discos do Bowie. Alguns eu gostava de cara, outros demorava um pouco mais para entender, mas sabia que tudo era bom. Desenvolvi então a teoria (amplamente alardeada por mim) de que David Bowie é um gênio e um ser humano superior, logo tudo o que ele faz é bom. Se a pessoa que escuta não gosta de alguma coisa, é porque ainda não evoluída suficientemente para entendê-lo. Sempre que falo sobre minha teoria, as pessoas caem na risada, mas é verdade. Ainda vou fundar a Igreja dos Bowieanos. Pelo menos ganhamos dinheiro de dízimo e não pagamos impostos. 

Ziggy conta a história de um alienígena que vem à Terra para salvá-la da destruição em cinco anos. Ao chegar aqui, ele forma a banda "Spiders From Mars" e cede ao trio poderoso do sexo, drogas e rock'n'roll. Torna-se uma estrela. O disco, porém, acaba com o suicídio de Ziggy. 

Bowie realmente transmutava-se em Ziggy durante os shows dessa turnê. Cabelos vermelhos, roupas escandalosas, muita maquiagem, muita cena. A persona Ziggy foi abandonada (para tristeza dos fãs até hoje) em 3 de Julho de 1973. Com a persona Ziggy Stardust, Bowie gravou outro disco chamado "Alladin Sane", um truque de palavras com a frase "A Lad Insane", que significa algo como "um cara maluco, insano". Apenas algumas pessoas sabiam da intenção de Bowie de abandonar a personagem, sendo o guitarrista Mick Ronson (o saudoso Ronno) uma delas. No fim do show, no teatro Hammersmith Odeon, em Londres, um pouco antes da canção "Rock'n'roll Suicide", Bowie diz que aquele não somente era o último show da turnê como também o último show que eles fariam. A frase era extremamente ambígua e muita gente achou que ele estava abandonando a carreira musical. O fato é que naquele momento ele matava sua criação mais famosa. Sua carreira musical ainda perdurou até 2006, quando fez sua última aparição pública. Alguns anos depois, ele disse que matou a criatura antes que ela matasse o criador. 

Bowie hoje vive uma vida de pai, esposo, pintor, recluso. Dizem que ainda tem planos de fazer mais um disco, mas sem nenhuma pressão. Dizem também que Bowie tem uma doença grave e está morrendo. Paga-se no mínimo cinquenta mil dólares por uma foto atual. E ele não diz nada, enigmático como sempre. 

De toda a minha discoteca, "The Rise and Fall of Ziggy Stardust and The Spiders From Mars", que fez 40 anos esse ano, é certamente um dos meus discos favoritos. 

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